O Marketing cria Necessidades ou Desejos?

Jornal Mídia Extra, 05/09/2012 10h32

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Ao iniciar minha participação profissional neste jornal, abordo um tema muito importante, quanto ao Marketing, e que diz respeito a todas as pessoas dos mais diversos ramos de atuação. E começo com a pergunta: o Marketing cria necessidades ou desejos?

Essa pergunta vem seguida, muitas vezes, de uma frase que diz: “O Marketing vive empurrando ‘coisas’ que as pessoas não necessitam”, ou ainda: “O Marketing é responsável pelo consumismo que paira sobre a nossa sociedade”.

“Por que alguém compraria um relógio que suporta até 100m de profundidade na água?”. Bom, a princípio apenas mergulhadores profissionais podem chegar a esta profundidade. O mergulho na prática recreativa pode chegar apenas até seus 40m. E, com toda a certeza, o número de pessoas que já possuem esse relógio que agüentam profundidades maiores do que 40m é maior que o número de profissionais de mergulho que necessitam de tal relógio.

Vamos entender apenas a diferença dos significados das palavras:

1 – Necessidades: Tudo que é necessário para a manutenção da nossa vida: comida, bebida, sexo, abrigo, sono, etc.

2 – Desejos: Tudo aquilo que queremos, mas não é necessário à Manutenção da nossa vida.

Sendo assim, o relógio da qual acabamos de falar não é uma necessidade e sim um desejo. Este, dentro da hierarquia das necessidades de Maslow, estaria nas necessidades de “status” ou “auto – estima”. Devemos nos lembrar então, que o que move este mundo, esta nossa sociedade, são as necessidades e desejos. Cada um de nós está  atrás de satisfação de nossas necessidades e de nossos desejos, não é mesmo?

O que é muito importante é que não podemos julgar as necessidades e desejos dos outros, baseado em nossas necessidades, desejos e valores. Cada um sabe o que precisa e quer. Indo adiante neste raciocínio podemos dizer que matar a sede com água é uma necessidade, mas se substituir esta água por uma com, sabor, gás, açucares ou mesmo por um refrigerante, passa a ser um desejo.

Você pode até dizer que estamos em uma cultura de consumo, e eu só tenho a  concordar. As pessoas compram coisas que não necessitam, apenas para satisfazer seus desejos. O ser humano, você e eu, somos assim!

Quando o fabricante de relógios ficou apto a confeccionar relógios que funcionam a 100m de profundidade, ao invés de vendê-los somente para o segmento restrito dos mergulhadores profissionais, lançou no mercado esse relógio para aqueles que querem ter a certeza de que, ao lavar as mãos, o relógio não danifica. Este diferencial foi buscado por diversos segmentos do mercado, diferente do segmento dos mergulhadores profissionais.

O Marketing não criou a necessidade, pois a maioria das pessoas não necessita de um relógio que funciona a 100m. O Marketing explora o desejo atávico do ser humano. Desejo de auto realização, desejo de se diferenciar, desejo de se identificar, desejo de pertencer a esta ou aquela “tribo”.

O Marketing apenas disponibiliza no mercado, já o desejo é a característica de cada indivíduo que se põe a comprar. Nós serem humanos é quem escolhemos comprar ou não, a decisão é individual e solitária!

Talvez em uma sociedade diferente, ou quando grande parte da população tiver informação, o consumismo diminua, mas vemos impossível terminar com as escolhas que cada um de nós fazemos para satisfazer os nossos desejos. O que nos realiza, o que nos faz pertencer a esta ou aquela "tribo", o que nos identifica, o que nos diferencia, o desejo de cada um de nós rege e determina a nossa individualidade, as nossas infinitas escolhas.

Você mata a fome com arroz, feijão e um bife, mas o que você vai comer, hoje, no almoço?

 

 

A autora, Raquel Fernanda Costa, é Bacharel em Marketing e Propaganda, MBA Executivo em Gestão Empresarial, Especialista em Comunicação e Vendas, Consultora e Instrutora nas áreas de Gestão Empresarial,  Gerencia de Atendimento, Comunicação e Marketing.  Gerente Comercial da MSD em Rondônia.

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